Sábado, Julho 11, 2009

Homens que escrevem sobre mulheres...
Eu sempre achei que as mulheres escreviam melhor sobre homens, do que estes sobre mulheres. Mas tenho aos poucos construído uma verdadeira tese. Ora, se já é díficil saber o que eles querem, pior é perceber o que eles escrevem sobre nós. Das duas uma, ou os homens não percebem mesmo nada de mulheres, ou não sabem escrever sobre elas. Há tempos li um texto cujo título é "O que os homens querem de uma mulher" e reza assim:
"Quando me perguntam o que acho das mulheres, a minha inclinação natural é responder como um arguido: "Nada a declarar." Acho preferível exercer o meu direito ao silêncio, não vá alguém usar contra mim algumas das minhas palavras. Todo o homem é isso mesmo, começa como arguido diante das mulheres. Precisa de provar para não ser condenado. (...)As mulheres não querem saber o que são as coisas. Não são filósofas. Querem perceber antes como funcionam e o que se pode fazer com elas. Querem saber como fazer. O "como" é o que lhes interessa. São homens de acção à espera de uma batalha."

Excerto do texto " o que os homens querem das mulheres" Pedro Lomba http://www.ionline.pt/conteudo/7683-o-que-os-homens-querem-uma-mulher

Podem ler o texto todo que não lêem em qualquer das linhas um resquício do que os homens querem das mulheres. Lemos uma ou duas teorias, uma citação de pavese escolhida sabe-se lá porquê e pouco mais. Á pergunta sobre o que acha das mulheres responde " nada a declarar" equiparando-se a um arguido num julgamento, ora salvo o devido respeito, a expressão "nada a declarar" cheira mais a alfândega. Se calhar, o querido Pedro Lomba fez confusão. Um dia chegou ao aeroporto de Lisboa vindo de Marrocos ou assim, e suspeitaram que o mesmo tivesse uma mulher na mala e quando lhe perguntaram ele disse "nada declarar".

A ideia de que as mulheres são um ser punidor que condena à partida boa parte dos homens é igualmente uma desculpa esfarrapada, para quando se leva um valente chuto no traseiro, não por ser homem, mas por ser chato e desinteressante e algumas vezes machista. As mulheres não condenam ninguém á partida, apenas fornecem a corda com que alguns se irão enforcar, mas como se sabe, o livre arbítrio não é uma invenção feminina, tanto quanto se saiba. Nós basicamente devemos ter inventado os vernizes para as unhas, o rímel e pouco mais.

Contudo, o que mais me perturba neste texto é aquela parte de não queremos saber o que são coisas, apenas como funcionam e o que se pode fazer com elas. Isto faz-me lembrar aquela cena do filme " Os Deuses Devem estar Loucos" quando um homem (sim, foi um homem!) de uma tribo que habitava um deserto africano, encontra uma garrafa de coca-cola, coisa que nunca viu e não sabe o que fazer com ela. Eu já percebi que o Pedro Lombra é contra o vinte e cinco de Abril, contra o Aborto Livre, conservador, moralista, paternalista e assim, mas daí a fazer do sexo feminino uma cambada de aborígenes, são outros quinhentos. Esta é a pior imagem possível que se pode ter de uma mulher, nada mais do que uma espécie de mentecapta que anda por aí a ver como as coisas funcionam: a enfiar a chave do carro no pneu a ver se o motor se liga, a tentar fazer uma torrada na máquina do café, ou a meter a fruta na máquina de lavar a roupa para fazer um batido. As mulheres não são assim, salvo quando compram móveis no IKEA, mas esta é só a excepção que confirma a regra. Eu imagino as mulheres com quem este Pedro Lomba deve sair, ou melhor prefiro nem imaginar!

Por fim, diz-se que as mulheres são homens de acção. No fundo em cada uma de nós há uma Brites de Almeida (vulgo, Padeira de Aljubarrota), pronta para dar pancada no primeiro homem chato que apanharem pela frente. Afinal o que os homens querem, é uma mulher que seja um "homem de acção"? Não sei se isto é misógeno ou simplesmente parvo!

Se calhar o autor do texto devia mesmo ter optado pelo silêncio :)

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